Desde os primeiros estudos relacionados a eletricidade,
já era de conhecimento da ciência que a eletricidade e o
magnetismo tinham algo em comum. De fato, no fim do
século XVIII, alguns cientistas já sabiam, por exemplo,
que um raio era capaz de magnetizar um pedaço de ferro.
Entretanto, não se conhecia ainda qual era exatamente a
relação existente entre um fenômeno e outro. Coube então
ao físico dinamarquês Hans Christian Oersted (1777 –
1851) evidenciar, em 1819, a relação existente entre a
eletricidade e o magnetismo.
A descoberta feita por Oersted, durante muitos anos, foi
creditada ao acaso na realização de seu famoso
experimento. Entretanto, é muito provável que Oersted
realmente buscava encontrar a relação entre os dois
fenômenos, visto que seis anos antes da realização de
seu da experiência com a bússola, em 1813, já propunha
que um fio condutor poderia gerar um campo magnético. |
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Os preparativos e os
equipamentos
Em 1819, o físico norueguês finalmente construiu
(evidências dão conta de que o seu trabalho como
professor na Universidade de Copenhague não permitiu que
ele realizasse a experiência anteriormente) seu
dispositivo experimental, que consistia em uma
bússola
sobre uma mesa, a uma certa distância de uma pilha
voltaica – um arranjo de vinte placas de cobre e de
zinco, que graças a sua forma côncava, permitia
enchê-las com uma mistura condutora de eletricidade de
ácido sulfúrico, água e ácido nítrico.
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| Uma repodução muito fiel da
bússola utilizada por Hans Oersted para a
realização de seu experimento que verificou,
pela primeira vez de forma clara, a relação
existente entre um campo elétrico e um campo
magnético. © IPS |
A realização experimental
Oersted então ligou as extremidades de sua pilha
utilizando um fio de cobre. Então, o físico estendeu uma
porção retilínea deste fio sobre a bússola, que era
orientada no sentido norte-sul, e observou que a agulha
se deixava a sua posição e que o polo que se encontrava
sob a parte mais próxima do polo negativo da pilha se
deslocava para o oeste.
Procurando alguma razão que explicasse o fenômeno da
deflexão da agulha da bússola, Oersted ainda interpôs
outros materiais entre a bússola e o fio: vidro, metal,
água, pedras, resina e madeira. E o efeito de desvio da
agulha imantada não deixou de ocorrer.
A informação do mundo científico
Assim que obteve resultados mais conclusivos, Hans
Oersted divulgou os resultados de seu experimento para a
comunidade científica, já no fim do ano de 1819. A
repercussão logo foi grande. Se por um lado alguns
físicos se convenceram de que realmente existia uma
relação entre a eletricidade e o magnetismo, por outro,
muitos físicos ainda acreditavam que os dois fenômenos
(eletricidade e magnetismo) eram totalmente distintos.
Alguns destes físicos propuseram que o desvio na agulha
da bússola fora causado pela magnetização do foi; em
outras palavras, o fio sobre a bússola se tornara também
um imã.

Um solenoide é a montagem em
forma de espira que um fio forma ao redor de um
corpo rígido, em especial um metal. É esta
configuração que causa a interação existente
entre uma corrente elétrica (que atravessa o
fio) e um campo magnético (que é nulo ao redor
do solenoide). |
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Solenoides, eletricidade e magnetismo
Foi aí que entrou em cena o físico e matemático
André-Marie Ampère, um dos maiores cientistas de todos
os tempos. Ampère, após assistir a uma reprodução do
experimento de Oersted em 1820, procurou explicar o
fenômeno observado pelo cientista norueguês supondo
corretamente a existência de uma forte relação entre o
campo elétrico criado pela pilha voltaica e o campo
magnético ao redor da bússola. Então, construiu um
aparelho constituído por uma barra de ferro envolvida em
um fio de cobre enrolado em forma de hélice (figura ao
lado), no qual fez
passar uma corrente elétrica. Ampère previu que este
conjunto, ao ser atravessado pela corrente elétrica, se
comportaria como um imã.
E foi o que ocorreu: o fio enrolado ao redor da
barra de ferro se magnetizou, ou seja, se
imantou apenas com a influência da corrente
elétrica que o atravessou. |
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| Um solenoite de as linhas
de campo magnético de um solenoide. A corrente
elétrica que atravessa o fio gera o campo
magnético, fato descoberto por Ampère e que
mostrou que a eletricidade e o magnetismo
estavam, de fato, ligados um ao outro. |
Portanto, se o fio –
mais tarde, este tipo de configuração ficou
conhecido como solenoide – se imantava, dois
solenoides poderiam agir um sobre o outro,
exercendo inclusive, forças de atração e
repulsão, segundo a proximidade de seus polos,
norte e sul. Em outras palavras, se uma corrente
elétrica poderia interagir de modo a criar um
campo magnético, um campo magnético também
poderia ser capaz de criar um campo elétrico.
Estava descoberta e fundamentada a indução
eletromagnética.
Atualmente, os solenoides, bem como a indução
eletromagnética possuem diversas aplicações em
nosso cotidiano, desde nos motores elétricos,
passando pelos eletroímãs e chegando até os
dispositivos de segurança, como as portas
giratórias dos bancos.
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