| O meteorito do
Bendegó, foi encontrado em 1784 pelo menino
Bernardino da Mota Botelho, próximo ao riacho do
Bendegó, então município de Monte Santo. É o
maior meteorito já encontrado em solo
brasileiro, e o 15º do mundo. Em 1785 ordenou o
seu transporte até Salvador, pelo capitão-mor da
vila de Itapicuru, Bernardo Carvalho da Cunha.
Devido ao peso de mais de 5 toneladas, mesmo com
doze juntas de bois não foi possível
transportá-lo, e a pedra acabou despencando
ladeira abaixo e caindo no leito seco do riacho
Bendegó, a 180 metros do local original, onde
ficou por mais de 100 anos. Em 1886 Dom Pedro II
tomou conhecimento da existência do meteorito ao
visitar a Academia de Ciências em Paris, e
decidiu providenciar sua remoção da caatinga.
Criou-se uma comissão de engenheiros sob
liderança do oficial aposentado José Carlos de
Carvalho. Em 1888 esta comissão iniciou a
segunda tentativa. O transporte da pedra da
caatinga para a capital acabou se tornando uma
das mais complexas empreitadas da história do
transporte durante o Império. Por iniciativa do
Visconde de Paranaguá, se providenciou o seu
traslado num carretão puxado por juntas de bois,
deslizando sobre trilhos. Passou por Gameleira e
Cansanção, chegando à estação ferroviária do
Jacurici, município de Itiúba, depois de uma
marcha de 126 dias pela caatinga. Ali foi
embarcada para Salvador, chegando em 22 de maio
de 1888. Lá ficou em exposição durante 5 dias, e
em 1º de Junho embarcou no vapor "Arlindo",
seguindo para Recife, de onde foi enviado para o
Rio de Janeiro, sendo recebido no dia 15 de
junho de 1888 pela Princesa Isabel. Existem hoje
4 réplicas da pedra, em tamanho real, em Paris,
Salvador e Feira de Santana.
© Museu Nacional da
Quinta da Boa Vista/ Museu Nacional de História/
UFRJ |