| Cesar Lattes foi um dos
maiores cientistas que o Brasil já teve. Nasceu
em Curitiba, em 11 de julho de 1924 e faleceu em
Campinas, no dia 8 de março de 2005. Ingressou
no Departamento de Física da Faculdade de
Filosofia e Ciências e Letras da USP, concluindo
o Bacharelado em 1943. Em 1946, foi trabalhar no
grupo de pesquisa do professor Cecil Powell, em
Bristol, Inglaterra, onde já estava Occhialini
Powell, cientista renomado que há muitos anos
vinha desenvolvendo uma técnica experimental
para observar partículas elementares que
constituem o átomo, usando emulsões de filmes
fotográficos. Em geral, todos conhecem o próton,
o elétron e o nêutron. Mas há muitas outras,
cada uma com uma função específica na construção
do átomo. As emulsões dos filmes fotográficos
servem para detectar partículas porque, se forem
suficientemente sensíveis, registram com um
risco escuro o caminho percorrido por elas
quando o filme é revelado. Foi então que, em
1947, Lattes deu uma contribuição singular. Ao
analisar emulsões expostas nas altas montanhas
dos Pirineus (na imagem acima, Lattes prepara o
equipamento utilizado no experimento), ele
percebeu traços que poderiam identificar uma
partícula até ali não observada, embora sua
existência tenha sido prevista antes pelo físico
japonês Hideki Yukawa. Para confirmar as medidas
- em física experimental sempre é preciso muitos
testes para se ter alguma certeza de uma medida
-, levou emulsões às montanhas ainda mais altas
dos Andes bolivianos, a 5 mil metros de
altitude. Quanto maior a altitude, maiores as
possibilidades de registrar a passagem de raios
cósmicos - que vão se perdendo ao atravessar a
atmosfera até atingir regiões mais baixas. Em
1947, Lattes, Muirhead, Occhialini e Powell
publicaram os resultados na revista Nature. No
artigo, anunciaram a observação do méson pi - a
partícula prevista por Yukawa -, também chamado
píon. Meson, em grego, significa intermediário;
a partícula observada recebeu o nome de méson pi
pelo fato de sua massa ser intermediária entre a
do elétron, muito leve, e a do próton, quase
duas mil vezes maior. ©SBPC/CNPq/UNICAMP |