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A Física na Idade Média
 
Por Flávio da Costa Gonçalves

A Idade Média marcou o início de uma nova Física, distante dos pensamentos aristotélicos a respeito das leis da Natureza. Além disso, o período foi marcado pelo desenvolvimento científico da ciência praticado pelos cientistas de origem árabe, além das descobertas e desenvolvimento de novas ferramentas matemáticas, como a Trigonometria, Astronomia, entre outras.

A Idade Média (476 – 1453) foi um período marcado por inúmeros fatos históricos relevantes, como: a queda do Império Romano e a posterior tomada de Constantinopla; as viagens de navegadores europeus como Cristovam Colombo e Pedro Álvares Cabral, que acarretaram no descobrimento de novos continentes e a viagem de Vasco da Gama, que encontrou o caminho marítimo para as Índias. É também durante a Idade Média que Johannes Gutenberg (1938 – 1468) inventou a imprensa, possibilitando a confecção de livros e artigos de maneira mais rápida.

Entretanto, a Física praticada na Europa teve um período de estagnação em suas descobertas e pesquisas, causadas principalmente pelo fim do Império Romano e pelo desinteresse de cientistas da época em continuar trabalhos e pesquisas neste ramo.
 

Contudo, muitos filósofos de origem grega ainda buscavam estudar a ciência da natureza e como não encontraram aporte no continente europeu – a ciência como um todo era considerada herege por setores religiosos, sobretudo pela Igreja Católica –, acabaram migrando para o Oriente Médio, principalmente para as regiões da Índia e da Pérsia; estes filósofos então, desenvolveram seus trabalhos baseados em conceitos prévios da filosofia grega em Astronomia, Matemática, Mecânica, enquanto desenvolviam a alquimia, ciência que originaria a Química.


A Pérsia na ciência da Idade Média

A população pérsia, surgida depois da conquista árabe da região, reviveu a sabedoria grega e ajudaram a preservá-la, principalmente na cultura, filosofia e pensamento científico, enquanto ela se ofuscava cada vez mais na Europa.


Astrolábio, instrumento astronômico capaz de determinar simultaneamente a latitude e a hora pela observação do instante em que várias estrelas atingem determinada altura fixa acima do horizonte, antes ou depois da passagem meridiana, foi inventado por árabes da pérsia no século XI.


É na Persa, possivelmente no século XI que surge o primeiro astrolábio, criado por Mohammed al-Fazari. Paralelamente, conceitos matemáticos importantes que são utilizados até hoje, como a trigonometria e a geometria foram desenvolvidos, o que possibilitou as primeiras medições da distância da Terra e da Lua. No século XII, Omar Khayyam (1040 – 1131), após realizar a reforma do calendário islâmico, calculou o ano terrestre tropical como tendo 365,242213 dias (o ano terrestre aceito atualmente é de 365,242241 dias).

Ainda na Pérsia, surgem os primeiros trabalhos na álgebra. O matemático árabe al-Khwarizmi foi um precursores deste trabalho, emprestando o seu nome para o que hoje conhecemos por “algarismo”.

Apesar da importância das conquistas árabes da ciência, as descobertas somente chegaram até a ciência europeia após quase seiscentos anos, quando os navegadores europeus buscavam especiarias e escravos acabaram levando algumas descobertas para o ocidente.


Esboço da forma geométrica do planeta Terra feito por cientistas árabes no século XII. O esboço foi feito a partir das descobertas da Trigonometria e da Álgebra feitas pelos matemáticos persas.


Redescoberta da ciência europeia

No fim do século XII, a redescoberta dos trabalhos dos antigos filósofos através do contato com os árabes durante as Cruzadas e o processo de Reconquista, inciam uma revitalização da ciência na Europa.

Durante o século XII e XIII, já havia o esboço do método cientifico moderno. Destacam-se os trabalhos de Robert Grosseteste, que utilizava a ênfase matemática (deduções, generalizações, entre outras) e a compreensão da Natureza e na abordagem empírica feita Roger Bacon.

Bacon conduziu experimentos no campo da óptica, ainda que muito do seu trabalho seja similar àquilo que começava a ser feito no seu tempo por sábios Árabes.

Ele deu a maior contribuição para o desenvolvimento da ciência europeia medieval devido a sua correspondência para o Papa, para encorajá-lo no ensino das ciências naturais nos cursos universitários e na compilação de vários volumes de registros do conhecimento científico em vários campos do seu tempo; descreveu a possibilidade da construção de um telescópio, mas não existe nenhuma evidência forte de que ele tenha feito um; registrou a maneira pela qual conduzia seus experimentos em detalhes tão precisos que outros puderam reproduzi-los e testar seus resultados – uma pedra angular do método científico, e uma continuação do trabalho de pesquisadores como Al-Battani.


Contestando a Mecânica Aristotélica

No século XIV, alguns escolásticos, tais como Jean Buridan (1300 – 1358) e Nicole Oresme (1323 – 1382), iniciaram o questionamento da visão da mecânica de Aristóteles. Em particular, Buridan desenvolveu a teoria dos ímpetos, primeiro passo na direção do conceito moderno de inércia.

Por sua vez, Nicole d'Oresme mostrou que o motivo proposto na Física de Aristóteles contra o movimento da Terra não era válido e mostrava a simplicidade da teoria segundo a qual a Terra se move, e não os céus. Em todos os seus argumentos em favor do movimento da Terra, Oresme é ao mesmo tempo mais claro e explícito do que Copérnico viria a ser dois séculos mais tarde. Ele também foi o primeiro a afirmar que a cor e a luz são da mesma natureza e a descoberta do desvio da luz através da refração atmosférica; embora, atualmente, o crédito desta última descoberta seja dado a Robert Hooke.


A peste negra e a interrupção do desenvolvimento filosófico

A chegada da peste negra, em 1348, põe fim a um breve período de desenvolvimento filosófico. A praga matou um terço das pessoas na Europa. A recorrência da praga e de outros desastres causou um contínuo declínio da população por um século.

A despeito desta paralisação, o século XV foi marcado pelo florescimento artístico da Renascença. A descoberta de textos antigos foi acelerada quando sábios de Bizâncio tiveram que procurar refúgio no oeste após a queda de Constantinopla em 1453.


A democratização do saber e a revolução do saber

Enquanto isto, a invenção da imprensa levou à democratização do saber e permitiu uma rápida propagação de novas ideias. Tudo isto pavimentou o caminho para a revolução científica a qual deve ser entendida como uma retomada do método científico que havia sido interrompido no século XIV. A ciência agora caminha para uma revolução nos conceitos e leis, graças a nomes como Copérnico, Galileu Galilei e posteriormente, Isaac Newton.



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