| A Física na Idade Média | |||||||||
A Idade Média marcou o início de uma nova Física, distante dos pensamentos aristotélicos a respeito das leis da Natureza. Além disso, o período foi marcado pelo desenvolvimento científico da ciência praticado pelos cientistas de origem árabe, além das descobertas e desenvolvimento de novas ferramentas matemáticas, como a Trigonometria, Astronomia, entre outras.
Contudo, muitos filósofos de origem grega ainda buscavam estudar a ciência da natureza e como não encontraram aporte no continente europeu – a ciência como um todo era considerada herege por setores religiosos, sobretudo pela Igreja Católica –, acabaram migrando para o Oriente Médio, principalmente para as regiões da Índia e da Pérsia; estes filósofos então, desenvolveram seus trabalhos baseados em conceitos prévios da filosofia grega em Astronomia, Matemática, Mecânica, enquanto desenvolviam a alquimia, ciência que originaria a Química. A Pérsia na ciência da Idade Média A população pérsia, surgida depois da conquista árabe da região, reviveu a sabedoria grega e ajudaram a preservá-la, principalmente na cultura, filosofia e pensamento científico, enquanto ela se ofuscava cada vez mais na Europa.
É na Persa, possivelmente no século XI que surge o primeiro astrolábio, criado por Mohammed al-Fazari. Paralelamente, conceitos matemáticos importantes que são utilizados até hoje, como a trigonometria e a geometria foram desenvolvidos, o que possibilitou as primeiras medições da distância da Terra e da Lua. No século XII, Omar Khayyam (1040 – 1131), após realizar a reforma do calendário islâmico, calculou o ano terrestre tropical como tendo 365,242213 dias (o ano terrestre aceito atualmente é de 365,242241 dias). Ainda na Pérsia, surgem os primeiros trabalhos na álgebra. O matemático árabe al-Khwarizmi foi um precursores deste trabalho, emprestando o seu nome para o que hoje conhecemos por “algarismo”. Apesar da importância das conquistas árabes da ciência, as descobertas somente chegaram até a ciência europeia após quase seiscentos anos, quando os navegadores europeus buscavam especiarias e escravos acabaram levando algumas descobertas para o ocidente.
Redescoberta da ciência europeia No fim do século XII, a redescoberta dos trabalhos dos antigos filósofos através do contato com os árabes durante as Cruzadas e o processo de Reconquista, inciam uma revitalização da ciência na Europa. Durante o século XII e XIII, já havia o esboço do método cientifico moderno. Destacam-se os trabalhos de Robert Grosseteste, que utilizava a ênfase matemática (deduções, generalizações, entre outras) e a compreensão da Natureza e na abordagem empírica feita Roger Bacon. Bacon conduziu experimentos no campo da óptica, ainda que muito do seu trabalho seja similar àquilo que começava a ser feito no seu tempo por sábios Árabes. Ele deu a maior contribuição para o desenvolvimento da ciência europeia medieval devido a sua correspondência para o Papa, para encorajá-lo no ensino das ciências naturais nos cursos universitários e na compilação de vários volumes de registros do conhecimento científico em vários campos do seu tempo; descreveu a possibilidade da construção de um telescópio, mas não existe nenhuma evidência forte de que ele tenha feito um; registrou a maneira pela qual conduzia seus experimentos em detalhes tão precisos que outros puderam reproduzi-los e testar seus resultados – uma pedra angular do método científico, e uma continuação do trabalho de pesquisadores como Al-Battani. Contestando a Mecânica Aristotélica No século XIV, alguns escolásticos, tais como Jean Buridan (1300 – 1358) e Nicole Oresme (1323 – 1382), iniciaram o questionamento da visão da mecânica de Aristóteles. Em particular, Buridan desenvolveu a teoria dos ímpetos, primeiro passo na direção do conceito moderno de inércia. Por sua vez, Nicole d'Oresme mostrou que o motivo proposto na Física de Aristóteles contra o movimento da Terra não era válido e mostrava a simplicidade da teoria segundo a qual a Terra se move, e não os céus. Em todos os seus argumentos em favor do movimento da Terra, Oresme é ao mesmo tempo mais claro e explícito do que Copérnico viria a ser dois séculos mais tarde. Ele também foi o primeiro a afirmar que a cor e a luz são da mesma natureza e a descoberta do desvio da luz através da refração atmosférica; embora, atualmente, o crédito desta última descoberta seja dado a Robert Hooke. A peste negra e a interrupção do desenvolvimento filosófico A chegada da peste negra, em 1348, põe fim a um breve período de desenvolvimento filosófico. A praga matou um terço das pessoas na Europa. A recorrência da praga e de outros desastres causou um contínuo declínio da população por um século. A despeito desta paralisação, o século XV foi marcado pelo florescimento artístico da Renascença. A descoberta de textos antigos foi acelerada quando sábios de Bizâncio tiveram que procurar refúgio no oeste após a queda de Constantinopla em 1453. A democratização do saber e a revolução do saber Enquanto isto, a invenção da imprensa levou à democratização do saber e permitiu uma rápida propagação de novas ideias. Tudo isto pavimentou o caminho para a revolução científica a qual deve ser entendida como uma retomada do método científico que havia sido interrompido no século XIV. A ciência agora caminha para uma revolução nos conceitos e leis, graças a nomes como Copérnico, Galileu Galilei e posteriormente, Isaac Newton. |
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