Praticando Física >> Curiosidades da Física >> O Enigma de Eta Carinae
O Enigma de Eta Carinae
 
Por Flávio da Costa Gonçalves

O enigma a cerca da existência da estrela Eta Carinae (localizada na constelação de Carina, a 7500 anos-luz da Terra) durou muitos anos. Massiva e com uma magnitude variável de tempos em tempos, intrigou muitos astrônomos ao longo dos anos: como um sistema tão grande pode permanecer intacto?

A resposta veio já no final do século XX, após observações do astrônomo brasileiro Augusto Damineli Neto que conseguiu por fim as especulações e dúvidas relacionadas ao sistema.
 


Eta Carinae, uma estrela cerca de 500 vezes maior do que o nosso sistema solar e que possui magnitude variável.
  A descoberta e os estudos sobre Eta Carinae começaram há pouco mais de 180 anos atrás. Descoberta em 1826 pelo naturalista inglês John Burchett, em uma observação a partir de São Paulo, foi catalogada como uma estrela de magnitude 4. Como o brilho da estrela era incompatível com as estruturas estrelares conhecidas até então, Burchett enviou o relato de sua descoberta a astrônomos ingleses na África do Sul. Estes ficaram ainda mais surpresos com suas observações: a estrela de magnitude 4 brilhava acima da magnitude 2.

A variação na magnitude foi observada muitas outras vezes em diversas épocas e em pontos diferentes. Após a primeira observação uma erupção e, em 1843, ejetou uma nuvem de poeira 500 vezes maior que o sistema solar, ficando mais brilhante. Depois disso, nos primeiros anos do século XX, a magnitude era apenas de 8. Em 2002, tinha magnitude 5, tendo de repente e surpreendentemente dobrado o seu brilho entre 1998 e 1999.



O que é magnitude?

O brilho de uma estrela tal como ela aparece no céu é denominado magnitude aparente. Atualmente, o brilho das estrelas pode ser medido com precisão, mas antes os astrônomos dividiam as estrelas em seis grandes grupos, da 1ª magnitude (a mais brilhante) à 6ª magnitude (as mais fracas visíveis a olho nu). Cada passo nessa escala é igual a uma diferença de brilho de cerca de 2,5 vezes; assim, uma estrela de magnitude 1 é 100 vezes mais brilhante que uma estrela de 6ª magnitude. E as estrelas mais brilhantes que as de 1ª magnitude recebem valores menores ou iguais a zero. Por exemplo, Sirius, a estrela mais brilhante tem magnitude -1,44; Vênus tem magnitude -4,7 e a Lua tem magnitude -12,7.


Descoberta brasileira


Mas o paradoxo da existência de Eta Carinae não termina apenas no fato de a estrela de magnitudes variáveis. A estrela é a mais massiva da galáxia, com cerca de 100 vezes a massa do Sol. E um corpo tão grande como este não consegue, ao menos em teoria, manter-se íntegro devido a poderosa pressão de radiação existente. Então, como explicar que um sistema como esse exista e não entre em colapso? Outra dúvida pertinente: como explicar que uma estrela mude a sua ordem de magnitude drasticamente em tão pouco tempo?

Inúmeras teorias foram feitas a partir de observações de várias partes do planeta. Porém, nenhuma delas foi capaz de responder satisfatoriamente a nenhuma das perguntas formuladas acima.

Foi então que, em 1997, o astrônomo brasileiro Augusto Damineli trouxe a teoria que explicou o mistério que envolvia a existência de Eta Carinae: na verdade, trata-se de um sistema duplo – e não único. Ou seja, a estrela é um sistema que é conhecido como sistema binário. Duas estrelas, a maior com três vezes o diâmetro da menor, estão envoltas em uma densa nuvem de gás e poeira, o que tornou a observação deste sistema algo dificílimo quando de sua descoberta.

A variação em sua magnitude também foi explicada pelo astrônomo brasileiro: o sistema é variável e a cada cinco anos e meio, acontece uma variação em seu brilho. Esta variação ocorre devido à poeira e o encobrimento da estrela maior pela menor e a expansão na nebulosa onde Eta Carinae se localiza.



FALE CONOSCO | POLÍTICA DE PRIVACIDADE | SOBRE O PRATICANDO FÍSICA | TERMOS DE USO
© Copyright Praticando Física - Todos os direitos reservados.