Archive for dezembro, 2009

CARRO DE CIENTISTA

CAMPOS DO JORDÃO (a ficha ainda não caiu) – Achei simpático o carrinho da foto. Quando eu tiver vontade de tirar a carteira de motorista e tiver dinheiro para comprar um carro, vou mandar pintar igual a esse:

HOJE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DE NOSSAS VIDAS

Por Flávio da Costa Gonçalves

CAMPOS DO JORDÃO (This is the end, beautiful friend) – Como acreditar que tudo não passou de um sonho? Como não querer imaginar que tudo o que se passou, tudo o que se sentiu não foi apenas uma traquinagem de nossas mentes? Como aceitar que realmente tudo acabou assim, sem esperarmos?

Aproximadamente 72 mil quilômetros de idas e vindas, estudos, frustrações, supostas epifanias, sonhos, pensamentos, cochilos. Três mil quatrocentas e setenta e duas horas de cálculos, risos, provas, equações, demonstrações, apostilas e capítulos. Quatro anos de luta. Muitas, mas muitas horas de sono perdidas. E hoje estamos todos aqui, sem saber muito que fazer. Porque um sonho realizado é assim, você deseja muito que ele aconteça, mas quando ele vem você simplesmente não sabe o que fazer, talvez por não acreditar em sua realização propriamente dita. E cinco pessoas, os cinco “sobreviventes”, que formaram uma família doida, ligada à ciência, a Física, aos números, essas cinco pessoas fazem parte de um seleto grupo, o grupo dos físicos. Sim, nos formamos. Tornamos-nos físicos. Agora somos físicos, em um país que ainda engatinha no apoio a educação e a ciência. Somos físicos em um mundo repleto de tecnologia. Somos físicos em uma sociedade que se preocupa muito mais com “o que” e não com o “como”. Somos físicos.

E que se registre aqui a alegria em terminar mais esta etapa de vida de cada um de nós, Larissa, Flávio, Vinicius, Sílvio e Felipe. E que se registre também que esta foi a vitória na primeira guerra entre tantas outras que o mundo nos proporá.

Porque após anos de incerteza sobre o que seria do futuro, o que seria quando nós todos terminássemos o curso de Física, talvez tenhamos chegado ao futuro sem uma resposta concreta. Mas nos tornamos físicos, prontos para enfrentar os desafios e as gratificações que a profissão nos oferece.

Nesses quatro anos como estudante da Universidade de Taubaté conheci muita gente sensacional, professores incríveis, desafios que jamais acreditei que iria superar. E hoje estou aqui para anunciar ao mundo e ao MUNDO (com algum tempo de atraso, é verdade), que eu e meus colegas de praticando Física nos formamos!

A todos que estiveram conosco, o meu e o nosso muito obrigado!

E a vocês que acompanharam o praticando Física nestes meses de vida, acreditem, este é apenas o começo de uma nova empreitada, uma busca por um site cada vez melhor.

Esta não é uma despedida dos grandes amigos e colegas que estiveram conosco. É, como diz o título de um filme muito famoso que dá título a este post, “o primeiro dia de nossas vidas”.

COMO FUNCIONA O JORNALISMO CIENTÍFICO

Por Flávio da Costa Gonçalves

CAMPOS DO JORDÃO (ele não erra, se engana) – Na maioria das redações dos jornais, das revistas (científicas ou não) e sites, sempre existe um caderno ou página dedicada à ciência. E infelizmente, na maioria das vezes, o jornalismo praticado e colocado nesses cadernos é muito parecido com o da tirinha abaixo.

O cartoon original pode ser visto aqui.

A tradução foi feita por Vida Ordinária e eu vi no Humor na Ciência.

COINCIDÊNCIA QUÂNTICA

Por Flávio da Costa Gonçalves

CAMPOS DO JORDÃO (eu tenho um mini-mim) – Eu gosto de Kinder Ovo. Como um desde os meus oito anos de idade (faz tempo), apesar de ter diminuído e muito a compra destes ovos, não apenas para evitar o olhar curioso do caixa quando peço um e respondo que não é para meu sobrinho ou filho, por que não tenho nem um nem outro, mas principalmente, pelo seu preço salgado. Enfim, dia desses deu uma vontade de comprar um. Fui até a padaria que fica a um quilômetro de onde moro e pedi um, sob os olhares curiosos da mocinha simpática do caixa e do gerente do estabelecimento. Acho que a curiosidade se devia muito mais pela camiseta que vestia (experimente andar com uma camiseta com a palavra “Física”escrita com letra garrafais e sinta os olhares dos incrédulos) do que pelo fato de eu comprar um alimento infantil. Enfim, sem mais churumelas (é assim que se escreve?), abri o ovo, comi uma de suas partes e resolvi olhar a surpresa. Surpresa? Sim, grata surpresa. O brinquedinho que ganhei é nada mais, nada menos do que… Uma réplica minha. Apresento a vocês o mini-Flávio, em uma versão muito mais cabeluda:

Ah, e ele mostra a famosa E=mc² quando a cabeça dele é apertada! Não é legal?

Eu gostei. E ele está bem localizado na estante de livros, bem a frente do Serway IV.

 

1,18 eV E CONTANDO

O Centro Europeu de Pesquisa Nuclear divulgou hoje que o LHC (Grande Colisor de Hadrons, em inglês) se tornou o acelerador de partículas mais energético do mundo, depois que feixes prótons circularam com uma energia de 1,18 tera eletronvolt (1,18 TeV).  O número bate o recorde mundial anterior de 0,98 TeV, obtido pelo colisor Tevatron do Fermi National Accelerator Laboratory, nos Estados Unidos.

A próxima meta dos cientistas do CERN é aumentar a intensidade dos feixes até o Natal antes de extrair maiores quantidades de dados das colisões.

No início de 2010, o CERN pretende chegar até os 7 TeV de energia total, o que daria 3,5 TeV por feixe de prótons, dando um passo importantíssimo na busca pelo bóson de Higgs.

CORRE, BOLT!


Hoje o jamaicano Usain Bolt se tornou o homem mais rápido da história. E de novo, pois ele era o detentor do antigo recorde mundial dos 100m rasos. A impressionante marca atual é de 9s58, catorze centésimos mais baixa do que a marca anterior conquistada em 2008.

O que é impressionante é o aumento da velocidade média dos corredores deste tipo de prova nos últimos 25 anos. Se em 1968 o mundo do esporte se espantou com a marca de 9s95 do americano Jim Hines (foi a primeira vez que um homem correu os 100m rasos em menos de dez segundos), hoje o que se viu foi a incrível quebra de um recorde mundial em menos de um ano, ainda por cima pelo mesmo atleta.

Para que possamos medir a evolução da velocidade média dos corredores nos últimos anos, utilizamos a tabela disponibilizada pela Wikipédia com os recordes mundiais desde 1968, ano em que os 100m foram percorridos em menos de 10s pela primeira vez.

Tempo

Atleta

Nacionalidade

Data

9.95 Jim Hines  Estados Unidos 14 de outubro, 1968
9.93 Calvin Smith  Estados Unidos 3 de julho, 1983
9.93 Carl Lewis  Estados Unidos 30 de agosto, 1987
9.93 Carl Lewis  Estados Unidos 17 de agosto, 1988
9.83 Ben Johnson  Canadá 30 de agosto, 1987
9.79 Ben Johnson  Canadá 24 de setembro, 1988
9.92 Carl Lewis  Estados Unidos 24 de setembro, 1988
9.90 Leroy Burrell  Estados Unidos 14 de junho, 1991
9.86 Carl Lewis  Estados Unidos 25 de agosto, 1991
9.85 Leroy Burrell  Estados Unidos 6 de julho, 1994
9.84 Donovan Bailey  Canadá 27 de julho, 1996
9.79 Maurice Greene  Estados Unidos 16 de junho, 1999
9.78 Tim Montgomery  Estados Unidos 14 de setembro, 2002
9.77 Asafa Powell  Jamaica 14 de junho, 2005
9.77 Justin Gatlin  Estados Unidos 12 de maio, 2006
9.77 Asafa Powell  Jamaica 11 de junho, 2006
9.77 Asafa Powell  Jamaica 18 de agosto, 2006
9.74 Asafa Powell  Jamaica 9 de setembro, 2007
9.72 Usain Bolt  Jamaica 31 de maio, 2008
9.69 Usain Bolt  Jamaica 16 de agosto, 2008

 

A velocidade média de cada atleta pode ser calculada pela expressão

Vm=Δs/Δt

Onde Δs é a distância em metros percorrida por cada atleta (neste caso, os 100m da pista), e Δt é o tempo de cada recorde, em segundos.

Em uma primeira comparação, a velocidade média desenvolvida por Jim Hines em 1968 foi de 100/9,95 = 10,05 m/s, enquanto a velocidade média desenvolvida por Usain Bolt neste domingo foi de 100/9,58 = 10,43 m/s. Se observamos apenas recordes a partir de 1983, vemos que a velocidade média de Calvin Smith foi de 100/9,93 = 10,07m/s, aproximadamente 0,36 m/s menor do que a velocidade de Usain Bolt em sua quebra de recorde neste domingo. Tudo isso em apenas 26 anos. Dezesseis quebras de recorde (excluindo aquelas que foram canceladas por uso de dopping) em 26 anos.

E o que causou toda essa evolução na velocidade dos atletas?

As sapatilhas, feitas para dar a maior estabilidade possível aos corredores, as pistas que são feitas de material com grande coeficiente de atrito, os métodos de treinamento, remédios, suplementos. É um grande conjunto de fatores que permitiu esse aumento no número de quebras de recordes mundiais. Mas, por mais que a tecnologia e a ciência tenham ajudado, os atletas ainda são os maiores responsáveis pelas sucessivas quebras de recorde mundial nas mais diversas modalidades esportivas.

Por isso, os parabéns a Usain Bolt. E que venha correndo mais uma quebra de recorde!