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A Física permite celulares estourando pipoca?
 
Por Flávio da Costa Gonçalves

Você já deve ter se deparado com um vídeo que mostra aparelhos celulares estourando milhos de pipoca. Para esta façanha, os produtores colocaram quatro celulares ao redor de alguns milhos de pipoca e então, ligaram para os números dos celulares, fazendo com que os aparelhos tocassem simultaneamente; e após alguns segundos, as pipocas começaram a pular.

Este vídeo rapidamente se tornou muito conhecido em todo o mundo e logo pipocaram "versões caseiras", onde internautas mostravam seus aparelhos celulares repetindo a façanha do vídeo original.

Mas será que é possível que se estoure pipoca utilizando apenas a radiação eletromagnética do celular?
 


 


Inicialmente, vejamos os principais pontos de funcionamento de um aparelho celular.

Todo e qualquer celular utiliza ondas eletromagnéticas para funcionar, isto é, para que ele seja útil para fazer e receber ligações ou mensagens ou conecte-se na Internet, ele utiliza as ondas eletromagnéticas provenientes das antenas de celular. Portanto, o celular é um receptor e também um emissor de ondas. E como qualquer aparelho que receba ondas eletromagnéticas de algum emissor, ele utiliza uma determinada frequência e potência para que opere corretamente (da mesma forma que o seu aparelho de rádio utiliza a antena para receber os sinais de rádio provenientes da antena de sua emissora favorita, o celular utiliza diversas frequências e potências para operar).

E é utilizando tanto a frequência quanto a potência proveniente do sinal das redes de celular que o vídeo passa a ideia de que é possível transformar o milho em pipoca, já que o fato de os celulares próximos aos grãos de milho começarem a tocar simultaneamente geraria uma onda eletromagnética com potência suficiente para estourar o milho – transformando-o em pipoca.



Ondas

Toda onda eletromagnética tem como algumas características: um período, uma frequência, uma potência e um comprimento de onda. O período é o tempo que uma onda leva para completar um ciclo, ou seja, o tempo necessário para que uma onda saia de um ponto e volte até o mesmo ponto. A frequência é o número de ciclos ou de períodos de uma onda que existem por segundo. A potência é a energia que a onda (neste caso, a onda eletromagnética) possui e o comprimento de onda mede basicamente o que o seu próprio nome diz: o tamanho de uma onda. É interessante destacar também que como cada comprimento de onda define o tipo de uma onda (eletromagnética, luz visível, raios-x, etc.), e por isso, é possível descobrir o tipo de onda apenas conhecendo o seu comprimento de onda.

Nas ondas eletromagnéticas, o comprimento de onda varia entre 10-12 e 103 metros. As frequências deste tipo de onda dependem de sua utilização, mas em celulares, elas variam entre 900 MHz e 1800 MHz. Da mesma forma, a potência das ondas eletromagnéticas utilizadas nas telecomunicações depende de suas utilizações, mas em média, uma onda tem aproximadamente 0,25 W.



Comparando com o forno de micro-ondas

O forno de micro-ondas utiliza as ondas de micro-ondas para esquentar ou cozinhar os alimentos. Isto é possível por que estas ondas “penetram” nos alimentos e agitam suas moléculas, de modo que a agitação molecular aumente a temperatura do que está dentro dele. Mas para realizar esta tarefa, o forno de micro-ondas utiliza uma potência e uma frequência muito maior do que as que qualquer aparelho celular consegue ter. Para que você possa comparar os valores, um celular GSM (esse aí que você utiliza) tem uma frequência média de um pouco mais de 900 MHz e uma potência, como vimos anteriormente, de aproximadamente 0,25 W; enquanto isso, um forno de micro-ondas opera com uma potência média de 700 W e frequência de 2450 MHz.


Sem “disque-pipoca”
  O que de fato faz com que o milho de pipoca estoure é o aquecimento das minúsculas partículas de água que existem em seu interior. No caso do forno de micro-ondas, as ondas do aparelho penetram no grão de milho e excitam as moléculas da água; essa excitação causa o aumento das colisões das moléculas e por consequência, o aumento do calor que por sua vez, irá aumentar a temperatura destas partículas de água no interior do grão. Como o vapor resultante desse aquecimento não tem para onde sair, a pressão interna aumenta e o resultado você come assistindo a um filme ou com os seus amigos.


Concluíndo:

Assim, o celular não tem potência suficiente para excitar as moléculas de água que estão presentes no interior do grão de milho, mesmo que ficassem ligados por horas e bem próximos aos grãos. Muito menos seria possível construir vibrações harmônicas que fizessem com que se criasse uma ressonância com as moléculas do milho e os fizesse estourar.

Se assim fosse, se fosse possível estourar pipoca utilizando celulares, seus dedos e orelhas seriam constantemente queimados pela potência do celular, já que tanto no grão de milho quanto em nossa pele, estão presentes moléculas de água.

Portanto, este vídeo não é possível do ponto de vista físico!

Na verdade, este vídeo trata-se de um viral, um vídeo cujo objetivo verdadeiro é fazer uma propaganda velada de um determinado produto.



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